Após chacina, organizações convocam protesto em Belém

Em nota, entidades reivindicam outra política de segurança pública, abertura de CPI das Milícias e um basta ao extermínio nas periferias


Organizações da sociedade civil realizarão uma manifestação em Belém na próxima terça-feira (11) para cobrar a apuração dos assassinatos de pelo menos nove pessoas, ocorridos nessa semana, em seis bairros da capital paraense. Em nota, as entidades alertaram sobre um problema de todo o país: “a ineficiência da política de segurança adotada”, centrada no “aparelho repressivo e na guerra aos pobres”.

Os crimes na capital do Pará aconteceram em um intervalo de poucas horas, na madrugada do dia 5 de novembro, após o cabo da polícia militar Antônio Marcos da Silva Figueiredo ter sido ser morto a tiros na rua onde morava. Sobre a situação, as organizações apontam que governo do estado “tem uma parcela de responsabilidade com o envolvimento de policiais com milícias e grupos de extermínio”, ressaltando as precárias condições de trabalho e os baixos salários de soldados, cabos e sargentos.

Dados da Ouvidoria de Segurança Pública paraense mostram que, em 2013, foram identificados 135 homicídios cometidos por agentes de segurança pública, sendo 122 realizados por PMs, 12 por policiais civis e um por Bombeiro Militar. Segundo informações no documento, o Pará é o sétimo estado mais violento do Brasil, com um índice de homicídios de 41,7 mortes a cada 100 mil habitantes.

“Avaliamos que uma verdadeira política de segurança pública não se implanta com repressão e nem com caravanas ou ações pontuais, mas com mudanças na política econômica e investimento em educação, saúde, cultura, esporte e lazer, o que é cotidianamente negado à juventude pobre nas periferias brasileiras, condenada a um futuro de incerteza, onde predominam a exploração sexual e a criminalidade”, analisa o documento.

As organizações exigem do governador Simão Jatene (PSDB) a devida apuração desse extermínio em Belém. “Em defesa da vida, não nos calaremos!”, reforça a nota assinada por mais de 100 entidades, dentre elas a FASE, a Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SPDD), o Conselho Regional de Psicologia, e outras. Além dos assassinatos, o documento lembra que houve “agressões físicas e violências simbólicas, como o toque de recolher imposto por policiais, que relembrou os anos de chumbo da Ditadura”.

“Queremos transformar nosso luto em luta”

A manifestação convocada em Belém acontecerá na Escadinha do Cais do Porto, a partir das 9h. O protesto pedirá um basta ao extermínio nas periferias. A passeata deve seguir em direção à Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) para cobrar a instalação imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre segurança pública, com foco na investigação de milícias no Pará.

Leia aqui a nota completa e saiba quais entidades assinaram o documento.

Fonte: Ong Fase

Outras Publicações

Continua interditada, na tarde desta segunda-feira (18), a rodovia PA-252, após moradores da comunidade quilombola Santana do Capim, localizada no nordeste do Pará, próximo ao município de Abaetetuba, realizarem uma manifestação contra a contrução de uma
ponte dentro do terreno quilombola, além de pedirem melhorias na área.

De acordo com Manoel Clauderir, presidente da associação quilombola, não há previsão de liberação da rodovia. “Nós só vamos liberar a rodovia quando um representante do governo do Estado, que tenha poder de decisão, chegar aqui para conversar com a gente. Não concordamos com a construção da ponte, que está atingindo a comunidade.

Além de que, faltam investimentos na saúde e na educação”, afirma.

Uma equipe da Polícia Rodoviária Estadual (PRF) está no local e tenta negociar a liberação da pista, que está fechada desde a manhã de hoje.

Fonte: Diário Online

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