A Lei do Ventre Livre determinava que os filhos de mulheres escravas nasceriam livres, mas permaneceriam sob custódia do dono até completarem 21 anos.
Os casos de racismo registrados, este ano, ampliam o histórico de atos deste tipo no futebol brasileiro. No início do século XX, o futebol foi popularizado pelos operários europeus, que vieram ao Brasil.
Com a dificuldade de encontrar jogadores europeus e a desenvoltura dos brasileiros no novo esporte, os clubes, aos poucos, aceiraram novos jogadores. Algumas agremiações foram mais conservadoras e as mudanças trouxeram os primeiros conflitos e manifestações racistas.
Um caso ficou famoso e dificilmente será esquecido. O Fluminense, um dos muitos clubes que se orgulhava em manter as tradições europeias de seus fundadores, é conhecido como pó de arroz por conta do jogador Carlos Alberto. Para se ‘camuflar’, o atleta passava o pó de arroz, que escorria por seu rosto à medida que as gotas de suor caíam, como relatou Mário Filho, em sua obra O Negro no Futebol Brasileiro, de 1947. Confira a transcrição:
“O caso de Carlos Alberto, do Fluminense. Tinha vindo do América, com os Mendonças, Marcos e Luís. Enquanto esteve no América, jogando no segundo time, quase ninguém reparou que ele era mulato. Também Carlos Alberto, no América, não quis passar por branco. No Fluminense foi para o primeiro time, ficou logo em exposição. Tinha de entrar em campo, correr para o lugar mais cheio de moças na arquibancada, parar um instante, levantar o braço, abrir a boca num ‘hip, hip, hurrah’.
Era o momento em que Carlos Alberto mais temia. Preparava-se para ele, por isso mesmo, cuidadosamente, enchendo a cara de pó-de-arroz, ficando quase cinzento. Não podia enganar ninguém, chamava até mais atenção. O cabelo de escadinha ficava mais escadinha, emoldurando o rosto, cinzento de tanto pó-de-arroz.
Quando o Fluminense ia jogar com o América, a torcida de Campos Sales caia em cima de Carlos Alberto:
– Pó-de-arroz! Pó-de-arroz!
A torcida do Fluminense procurava esquecer-se de que Carlos Alberto era mulato. Um bom rapaz, muito fino.”
Fonte: DM
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