Brasil – Foi assinado por autoridades do Estado, nesta sexta-feira, 21, Dia Internacional contra a Discriminação Racial, em solenidade no Palácio Piratini, um pacto para combater o racismo nas instituições públicas
Hoje durante o VIII COPENE Nilma Bentes lança seu livro “Aspectos da Trajetória da População Negra no Pará”.
Lançamento do Livro “Aspectos da Trajetória da População Negra no Pará”.
Local: UFPA – Hall do Centro de Convenções Benedito Nunes
Hora: Ás 19hs.
a) Capital afetivo: Aqui, trata-se da questão de orientação sexual, então, a heterossexualidade/heteroafetividade é absolutamente hegemônica e é, portanto, privilegiada; fica a homo e transsexualidade com ´capital afetivo´ baixo.
b) Capital ambiental: Nas cidades, os que habitam as áreas de melhor infraestrutura urbana detém maior fatia desse tipo de capital e as famílias brancas o concentra – racismo ambiental.
c) Capital ´ascendestista´: A ascendência europeia é de maior capital. Assim, brasileiros/as que têm fenótipo euro-branco e até (apenas) sobrenomes alemães, italianos, ingleses, franceses, holandeses e portugueses têm sido privilegiados . Alguns sobrenomes orientais e indígenas têm um certo capital ´ascencentistas´ . Porém os ´dos Santos´, ´dos Anjos, ´da Silva´, ´da Conceição´ , ´de Souza´ os quais têm baixo ´status´, e alguns, de alguma forma, estão ligados à escravidão negra, têm baixíssimo capital ´ascendentista´.
d) Capital cultural: Hegemonicamente ´cultura´ é sinônimo de ´euro-cultura-elite´ (branca: balé, música clássica-erudita, artes plásticas /pintura/escultura); a chamada ´cultura popular´ tem, obviamente, menor capital cultural.
e) Capital força-física: Inequivocamente os homens possuem a concentração desse tipo de capital; não é à toa que estupram, estapeiam/esmurram e são maiores agentes de feminicídios, inclusive dentro do sistema de saúde, sobretudo às que estão na zona da pobreza.
f) Capital sexista: Também, inequivocamente, os homens concentram esse tipo de capital e não somente no Brasil e sim no mundo. Machismo/patriarcalismo generalizado.
g) Capital impunibilista: A acumulação desse tipo de capital de impunidade privilegia famílias brancas, de poderio econômico-financeiro e de status. A severa ´força da Lei´ é ativada para os que estão na pobreza, sobretudo para negros/as, indígenas e às pessoas ligadas ao ´baixo prostíbulo´.
h) Capital econômico: Esse é um dos ´clássicos´. No Brasil donos de grandes empresas extrativistas (madeireiras, mineradoras, de frutos do mar/rios); os latifundiários (muitos são ´grileiros´), do agronegócio (pecuaristas, monocultores), agroindustriais e industriais, comerciantes e banqueiros . Perfil hegemônico: famílias brancas e, em pequena escala, orientais/asiáticos.
i) Capital eleitoral: Homens, brancos, empresários, com fartos recursos econômico-financeiros, com acesso direto ou indireto à redes de comunicação e ditos ´bem apessoados´.
j) Capital etário: As pessoas de 35 a 55 anos possuem esse tipo de capital mais elevado.
k) Capital esportivo: Em geral, acumulam mais esse tipo de capital, as modalidades com menor possibilidade de contato físico; que precisam de espaço especial (piscina, campo de golfe, quadras de tênis), e cujos apetrechos são de custo elevado; cabe indagar aqui se automobilismo é mesmo esporte pois depende mais de motor, combustível, tipo de pneu, etc. Perfil hegemônico: pessoas brancas. Aos que estão na pobreza cabe algumas modalidades ligadas ao atletismo (corridas e saltos, principalmente), futebol, box e outras que não precisem usar espaços elitizados.
l) Capital financeiro: banqueiros, grandes aplicadores no mercado de capitais. Perfil hegemônico: famílias brancas.
m) Capital intelectual: Pesquisadores, professores universitários, sobretudo com títulos de mestrado/doutorado obtidos na Europa, USA, Canadá. Populações negra e indígena estão com baixíssima acumulação desse tipo de capital. Praticamente não conseguem ´bolsas de estudos´ nem para se deslocar dentro do território nacional;
n) Capital jurídico: Advogados/Operadores de Direito/juristas ligados a escritórios renomados. Perfil hegemônico: homens brancos.
o) Capital marcialista: Homens brancos de alto escalão no oficialato das forças armadas federais. Pouca ou nenhuma representação de negros/as e indígenas.
p) Capital mass media: Redes de TV são as hegemônicas (a maioria quer ´aparecer na TV´), embora as radiofônicas sejam as mais acessadas. Donos? Homens brancos.
q) Capital natural/biodiversidade: O Brasil tem, mas quem amealha e tem lucrado? Famílias brancas.
r) Capital patrimonialista: Historicamente, no Brasil, o homem branco concentra esse tipo de capital.
s) Capital político: Possui mais quem garante maior exposição nos meios de comunicação, então, são os homens brancos que concentram esse tipo de capital.
t) Capital profissional: diretores executivos (CEO), advogados, médicos, publicitários, jornalistas – brancos/as, evidentemente.
u) Capital racial: Segmento branco da população; pessoas brancas que estão na pobreza, de alguma forma, se beneficiam com esse tipo de capital- são priorizadas em empregos em shoppings, companhias aéreas, recepcionistas, etc.
v) Capital regional: Sudeste e Sul do Brasil detêm a hegemonia do capital regional – maior concentração de brancos. Quem tem menor ´cacife´ são as regiões Norte e Nordeste.
w) Capital religioso: Cristianismo detém maior capital religioso. Mesmo que Jesus Cristo tenha sido afro-asiático, é considerado ´blasfêmia´ dizer que ele não foi uma pessoa branca. No tocante a ´Deus pai, Filho e Espírito santo´ só o nome ´santíssima trindade ´ é feminino. Religiões ´afro-indígenas´ têm sido ultra discriminadas.
x) Capital social: Considerando que, para alguns, esse capital está ligado a estratégias´ e pode ser ´herdado´, então, desde invasão europeia neste chão e do pecado ecológico que representou a brutal extração de ´pau-brasil´, a hegemonia deste capital está com os homens brancos.
y) Capital tecnológico: Considerando que envolve nível educacional, acesso a informação técnica, estágios no exterior entre outros, o perfil hegemônico o liga a homens brancos.
z) Capital visual: Considerando que, secularmente, o ´padrão de beleza´, no Brasil, tem sido branco, não há dúvida de que homens, mulheres, crianças, homossexuais, portadores de deficiência, prostitutas, domésticas, brancas (principalmente se louros/as de olhos azuis), têm sido beneficiados, na sociedade brasileira. As populações negra e indígena têm de percorrer muito chão para garantir a equidade e, já que chegamos até aqui, resta continuar.
Julho de 2014.
A Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, contra a
Mercantilização da Vida em Defesa dos Bens Comuns, realizada na cidade do
Rio de Janeiro durante a Conferência Mundial das Nações Unidas para o
Desenvolvimento Sustentável – Rio+20, que se concretiza como um dos maiores acontecimentos mundiais no ano de 2012, tendo como foco de discussão “Meio Ambiente” e “Desenvolvimento Sustentável”, favorecendo que as rodas de diálogos buscassem levantar propostas para solução dos problemas globais.
Em demasia, a economia verde está sendo uma nova veste do capitalismo que vem retirando a visibilidade da realidade econômico-social. No entanto, nós povos que buscamos nossos direitos, reivindicando a titulação de nossos
territórios, respeito a diversidade cultural, religiosa e nossa
biodiversidade, expressamos através da CONAQ- Coordenação Nacional
Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, instituição de
representatividade política das comunidades quilombolas, que acompanha os
processos das demarcações e titulações dos territórios quilombolas, junto
aos órgãos competentes para tais fins, que hoje se estima em torno de 5 mil
comunidades quilombolas em todo território nacional, os direitos garantidos
as comunidades que estão resguardados como: educação, saúde, habitação e soberania alimentar, e que estão sendo aviltados pela burocracia do Estado.
Em tempo presente, a situação mais emblemática que exemplifica bem a
situação de todos os quilombolas é o caso de Quilombo Rio dos Macacos (BA), que vêem sendo denunciando em todos os espaços e meios de comunicação, como forma de mostrar as atrocidades cometidas pela Marinha do Brasil, que vergonhosamente vem ferindo os direitos dos povos daquela comunidade.
Situação eminente é também o caso do Quilombo da Ilha da Marambaia (RJ), onde a implantação do Centro de Adestramento Militar da Marinha do Brasil vem retirando a dignidade dos moradores daquele local e de Alcântara (MA), atingido pela implantação da Base de Lançamento Espacial. Documentos comprobatórios foram entregues aos diversos organismos do governo, e os quilombos supramencionados ainda perecem pelo descaso dos órgãos que acompanham.
As diversas discussões que aconteceram na Cúpula dos Povos muito se falou
sobre a “sustentabilidade”, mas afirmamos que não existe sustentabilidade
sem territoriedade, existe sustentabilidade de fato onde estão habitados os
povos e comunidades tradicionais que detém o conhecimento, preservando seus territórios que são passados de geração à geração.
Os direitos quilombolas estão hoje resguardados pelos artigos 68, 215 e 216
da Constituição Federal / 88, pela convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho e pelo decreto presidencial 4887/2003, estando
esse último em eminente perigo pela ação de forças políticas de direita que
vislumbram a queda do decreto através da ADI 3239, que se encontra em
julgamento no Supremo Tribunal Federal e sua eventual aprovação
inviabilizará todos os processos de titulação dos territórios quilombolas.
A PEC 215 é um retrocesso para todos os avanços que os povos indígenas e
quilombolas vêm conseguindo com muita luta no campo dos direitos
ambientais, culturais, políticos, econômicos e sociais.
A Cúpula dos Povos, espaço critico e de trocas de experiências culturais de
movimentos do mundo inteiro, os diversos grupos estão dispostos a mostrar
de variadas formas para a RIO+20, que são capazes de apresentar ao mundo renovados conceitos a partir de visões éticas e agroecológicas, pautadas pelos valores da coletividade e solidariedade.
Rio de Janeiro, 22 de Junho de 2012.
Telefone: +55 91 3224-3280 | e-mail: cedenpa@cedenpa.org.br